2025
Amor Assassino é um espetáculo baseado na obra de João do Rio: dramaturgo, jornalista, cronista, contista, romancista, tradutor e teatrólogo brasileiro. Considerado um pioneiro da crônica-reportagem, ele foi membro da Academia Brasileira de Letras, sendo o mais jovem a ser eleito para compor a instituição. Homem mestiço de pele clara, de origem humilde e compreendido como homossexual, Paulo Barreto enfrentou estereótipos e discriminações, conquistando ascensão social através de seu trabalho como jornalista. Seus escritos retratavam principalmente a sociedade carioca em seus hábitos, costumes e rituais, abrangendo desde os mais requintados até os mais pobres. Publicou, em vida, extensa bibliografia, tendo feito do jornalismo sua principal fonte de renda. Prolífico escritor, entre 1900 e 1903 colaborou sob diversos pseudônimos com vários órgãos da imprensa carioca, como O Paiz , O Dia , Correio Mercantil , O Tagarela e O Coió . Em 1903 foi indicado por Nilo Peçanha para a Gazeta de Notícias , onde permaneceu até 1913. Foi neste jornal que, em 26 de novembro de 1903, nasceu João do Rio, seu pseudônimo mais famoso, assinando o artigo O Brasil Lê , uma enquete sobre as preferências literárias do leitor carioca. Daí por diante, o nome João do Rio se fixou como identidade literária e engoliu Paulo Barreto. Sob essa máscara publicou todos os seus livros e assim alcançou a fama. Em Amor Assassino , aproximamos o autor da estética narrativa proposta por Brecht, deixando que o Gestus social apareça de maneira contundente tanto na estética quanto no conteúdo do espetáculo. A peça tem sua proposta cênica funcionando como uma obra “aberta”, onde os atores estão sempre em cena — ora como personagens, ora como espectadores — mas sempre desenvolvendo, junto ao público, o distanciamento crítico necessário para que as relações de poder entre as classes econômicas na obra do autor sejam expostas tanto na forma épico-narrativa quanto na forma dramática.
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