As Centenárias de Newton Moreno no SESC Bom Retiro
As Centenárias: memória, ofício e a amizade como pacto de vida
92 textos
As Centenárias: memória, ofício e a amizade como pacto de vida
O truque como poética: quando o teatro se mostra fazendo
O círculo que acolhe e aprisiona
Rasga Coração: o Oficina devora Villa-Lobos e faz Zé Celso continuar
Andar de costas para ver o possível
o que retorna quando não pôde viver
Musical sobre Zezé Motta no Teatro Raul Cortez: materialismo histórico encenado com alegria
Anderson Negreiro, Thiago Marques e Leonardo Chaves constroem uma armadilha cênica sobre branquitude e poder
uma anatomia da intimidade, da mentira e do pacto entre homens
A Companhia Colateral, no Teatro Itália, transforma uma sindicância corporativa em ensaio sobre a claustrofobia social de um mundo que substituiu a verdade pela conformidade dos discursos. Foto: Ronaldo Gutierrez A sala é real. Mesa, cadeiras de escritório, janela — nenhuma estilização, nenhuma metáfora visual antecipada. Dois homens. Uma sindicância em curso. É nesse espaço sem ambiguidade cenográfica que Nós, os Justos, texto e direção de Kiko Rieser, instala sua armadilha. As duas mulheres en
Em Pés-Coração, o público é convidado a subir ao palco e percorrer, em fila, duas pistas circulares paralelas. A imagem projetada desse deslocamento coletivo desenha na tela o símbolo do infinito, transformando a caminhada partilhada em figura visual antes que em argumento. Há uma aposta clara nessa abertura: a experiência precede a explicação. Não se trata de ilustrar uma tese sobre deslocamento — trata-se de fazer o espectador habitá-lo com o próprio corpo, ainda que numa versão miniaturizada
Medeia é uma personagem de mais de dois mil e quatrocentos anos. Quando Eurípides a colocou em cena em 431 a.C., fez algo que distingue a tragédia que leva seu nome das demais do período: retirou o destino do centro da ação e colocou no lugar a vontade humana. Medeia não é arrastada pelos fios invisíveis do fado — ela escolhe. É essa escolha, radical e inegociável, que a torna incompatível com qualquer sistema que funcione pela domesticação da vontade em favor do cálculo. O capitalismo é apenas
Crítica · Farofa da MIT 2026 A água que testemunha Séquana–Yará: A Voz das Águas — Estelar de Teatro Foto: Cemil Batur Gökçeer Há uma pergunta que Séquana–Yará: A Voz das Águas coloca com precisão incômoda: o que os rios lembram quando as cidades esquecem? Ela não está no programa. Está na arquitetura da cena. O espetáculo da Estelar de Teatro, apresentado em processo na Farofa da MIT — no Teatro Estelar, espaço que a companhia mantém na Rua Treze de Maio desde 2018 —, é resultado de anos de pes
EspetáculoA Hora do Boi OndeÁgora Teatro — Rua Rui Barbosa 664, Bela Vista, SP Quando6 mar – 26 abr 2026 · sex–dom HoráriosSex e sáb 20h · dom 19h IngressosR$ 100 (inteira) · R$ 50 (meia) Duração / Classif.60 min · 14 anos Zé Ramalho abre o espetáculo. Vida de Gado — canção que não fala de animais, mas de homens tratados como gado — instala de imediato o duplo registro que A Hora do Boi vai sustentar por seus sessenta minutos: o boi é alegoria, e a alegoria é precisa. Não se trata de um espetácu
O tribunal como máquina dialética sobre O Céu Fora Daquela Janela, da Bendita Trupe A razão pela qual o drama de tribunal funciona tão bem no palco não é acidental — é estrutural. O julgamento e o teatro compartilham uma arquitetura que precede qualquer escolha do dramaturgo: há um espaço delimitado, um tempo suspenso da vida ordinária, uma divisão entre quem performa e quem julga, e uma decisão que precisa ser tomada ao final. Quando o teatro coloca um tribunal em cena, não está apenas escolhen
A partir de uma cena aparentemente lateral, a crítica examina como o espetáculo condensa, num gesto mínimo, o embate entre razão, guerra, contenção e experiência sensível. Por Márcio Boaro · Os Que Lutam Texto da crítica A Última Sessão de Freud, de Mark St. Germain, traduzida por Clarisse Abujamra e dirigida por Elias Andreato, chega à sua atual temporada no Teatro Sabesp Frei Caneca com 370 apresentações e mais de 170 mil espectadores acumulados desde 2022. O que sustenta essa longevidade não
Liberdade do Py para montar Liberdade, Liberdade Núcleo Py / Companhia Antropofágica Há uma inversão elegante no ponto de partida do Núcleo Py, da Companhia Antropofágica, ao revisitar Liberdade, Liberdade, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel. O texto original, de 1965, foi montado por habitantes do Leblon que se passavam por trabalhadores. A nova versão — renomeada Mas afinal, o que é Liberdade? para, segundo o release, lidar com os “modelos de censura vigentes” — inverte o dispositivo: são tra