Caio Sóh

Capa pública
Crédito: Diego Cerqueira
Em um sertão imaginário onde a terra guarda cicatrizes de trabalho, fé e sobrevivência, vive Aparecida — uma mulher que se recusa a aceitar a dureza do destino como sentença. Forjando, com pedaços de sucata, um foguete que só ela consegue enxergar inteiro, Aparecida alimenta o sonho de alcançar o que chama de "o mundo por trás do céu". A partir da adaptação e direção de Inês Peixoto para a obra de Caio Sóh, o espetáculo costura realismo fantástico, cultura popular e o imaginário dos trabalhadores do interior do Brasil. A encenação cria uma paisagem cênica onde poesia e brutalidade convivem lado a lado. Em cena, os encontros de Aparecida com figuras que compõem o universo simbólico dos cortadores de cana — Micuim, Edvaldo, Valquíria e Xurunca — revelam afetos, exaustões e lampejos de esperança que atravessam gerações. Primeiro capítulo da recém-inaugurada Trilogia do Trabalho, que sucede a Trilogia da Memória da Dupla Companhia, "Por Trás do Céu" ilumina os esquecidos que movem o mundo. Um convite para que o público revisite seus próprios sonhos impossíveis — e reconheça, na obstinação de Aparecida, a força que sustenta a vida mesmo quando tudo parece faltar.
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