Um olhar sobre as Anas, Miquitas, Coras e Outras Mulheres
Por Márcio Boaro

Um olhar profundo sobre a vida das mulheres proletárias é a
premissa central explorada pelo núcleo Coras, pertencente ao Grupo Dolores Boca
Aberta, para criar um espetáculo. Durante o processo de criação, elas se
basearam em relatos pessoais, poemas de Cora Coralina, Carolina Maria de jesus,
Patrícia Galvão (Pagú) e Ângela Davis, buscando capturar a essência das
experiências femininas nesse contexto.
No palco são quatro atrizes, acompanhadas por um músico que
dá vida à trilha sonora do espetáculo. A duração do espetáculo ultrapassa uma
hora, porém, devido aos temas abordados, o tempo parece passar rapidamente, à
medida que somos absorvidos pela sucessão de cenas.
Uma das características marcantes da encenação é a forma
como as atrizes se revezam no protagonismo das cenas, as demais compõem outras
personagens ou coros. Essa dinâmica contribui para a construção de uma
narrativa complexa e multifacetada.
A dramaturgia adotada é, em sua essência, uma filiação ao
estilo épico, buscando transmitir uma visão ampla e abrangente das vivências
das mulheres proletárias. No entanto, também são inseridos momentos de teatro
documentário, nos quais cada atriz tem a oportunidade de compartilhar relatos e
experiências reais, trazendo à tona a autenticidade e a força dessas mulheres. Além
disso, o espetáculo apresenta cenas pós-dramáticas. A unidade do espetáculo
está mais ligada à temática abordada do que a um gênero teatral específico,
evidenciando a diversidade e a complexidade das experiências femininas dentro
das limitações impostas pela sociedade e pelo patriarcado.
O que o espetáculo faz de forma excepcional é mostrar que as
dores e anseios femininos são múltiplos, não podendo ser reduzidos a uma única
perspectiva ou à caracterização simplista de um único tipo social feminino,
como a mulher proletária. Ele nos lembra que as limitações sociais e
patriarcais podem restringir a mulher, mas jamais são capazes de sufocar seus
anseios e sonhos mais profundos.
Com seu olhar sensível e poderoso, o núcleo Coras do Grupo
Dolores Boca Aberta nos brinda com um espetáculo que transcende as barreiras do
tempo e do espaço, ao retratar as vozes silenciadas e as histórias não contadas
das mulheres proletárias. É uma ode à resistência, à força e à determinação
dessas mulheres, que encontram no teatro uma plataforma para expressar sua
verdade e inspirar a todos nós.
Ficha Técnica
Direção Geral:
Erika Viana
Assistência de Direção:
Tati Matos
Codireção: (1a Versão Mostra Processo – 2019) Gustavo Idelbrando Curado
Roteiro:
Núcleo "Coras"
Dramaturgia:
Erika Viana
Textos:
Cristina Assunção, Erika Viana, Nica Maria, Tati Matos, Cora Coralina,
Carolina de Maria de Jesus, Patricia Galvão (Pagú) e Angela Davis.
Concepção e Direção de Iluminação:
João Alves
Atrizes:
Cristina Assunção, Erika Viana, Nica Maria e Tati Matos
Músico:
Fernando Oliveira
Produção:
Nica Maria e Núcleo As Coras
Figurino:
Nica Maria
Cenário: Núcleo As Coras
Sonoplastia:
Fernando Oliveira
Operação de Luz:
João Alves
Direção musical: Fernando Oliveira
Arranjos musicais: Fernando Oliveira e Tati Matos
Musicas:
- Todas as Vidas, composição de Tita Reis (inspirado no poema de Cora Coralina)
- Histórias de Vó, composição de Tita Reis
- Rosas e Desvios, composição de Erika Viana e Renato Gama
Design e Artes:
Ane Melo
Crocheteira: Luzineide Rodrigues de Sales Pereira
Costureira: Maria das Graças (Graça)
Registros: Damy Belquior e Xandi Gonçalvez
Comunicação: Núcleo as Coras e Xandi Gonçalvez
Coletivo
Dolores Boca Aberta e seus integrantes: Cristiano Carvalho, Cristina Assunção, Erika Viana, Fernando Couto, Fernando Oliveira, João Alves, Luciano Carvalho, Luiz Mora, Nica Maria, Tati Matos,Tiago Mine, Yago Carvalho.
Agradecimentos: As Mulheres
que nos inspiraram com seus poemas, histórias, dores e amores: Margareth Bernardo Viana. Em Memória: Dona Nazaré, Dona Marô, Dona Deôla e Dona Zélia. Aos integrantes da oficina de teatro (Núcleo Experimental Dolores), Orlan Mortari e Mariana Moura na consultoria de criação gráfica. Ane pela parceria e criação das artes, Gustavo Idelbrando Curado e todas as Mulheres que vieram antes de nós.
Todas as Sextas e sábados até 24/06/2023 às 20:00hs
CDC VENTO LESTE
Rua Frederico Brotero, 60 – Jardim Triana (Próximo ao Metrô Patriarca)
Ficha Técnica
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BOARO, Márcio. Um olhar sobre as Anas, Miquitas, Coras e Outras Mulheres. Os Que Lutam, São Paulo, 26 maio 2023. Disponível em: https://osquelutam.com.br/criticas/um-olhar-sobre-as-anas-miquitas-coras-e-outras-mulheres.
Boaro, M. (2023, 26 de maio). Um olhar sobre as Anas, Miquitas, Coras e Outras Mulheres. Os Que Lutam. https://osquelutam.com.br/criticas/um-olhar-sobre-as-anas-miquitas-coras-e-outras-mulheres
BOARO, Márcio. "Um olhar sobre as Anas, Miquitas, Coras e Outras Mulheres." Os Que Lutam, 26 de maio de 2023. https://osquelutam.com.br/criticas/um-olhar-sobre-as-anas-miquitas-coras-e-outras-mulheres.
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Anas, Miquitas, Coras e Outras Mulheres
2025
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